Introdução e Tradução de Diogo Paiva
54 páginas
Ilarie Voronca (1903–1946) foi um poeta e ensaísta de origem romena, figura central das vanguardas europeias do início do século xx. Após uma primeira fase ligada ao construtivismo e ao dadaísmo em Bucareste, fixou-se em Paris, onde escreveu maioritariamente em francês e participou activamente no surrealismo. A sua obra, marcada por uma imaginação visionária, uma intensa carga lírica e uma reflexão inquieta sobre a modernidade, o exílio e a condição humana, ocupa hoje um lugar singular entre a poesia de vanguarda e uma escrita de profunda sensibilidade existencial.
«Como um golfo o hospital envolve-te e abraça-te
As serpentes da solidão lambem paredes e janelas
O ar baba-se como um cão de caça
A folha de temperatura indica-te o caminho das estrelas
Cada um traz entre os dedos um termómetro
Como um ramo de buxo no Domingo de Ramos
As camas são alunas os cabelos lençóis sobre os seus ombros
As vozes baixaram como rios durante a seca
O tempo vestido com uma blusa branca passa ao teu lado
As palavras são listradas como aves marinhas
És um estrangeiro e eis-te um número no loto»
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