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«Mas eu pensava também no sofrimento dos negros. Os brancos os moíam de
pancadas, prendiam-nos com ferros pelos pés, pelo pescoço, quebravam-lhes os
ossos. Trabalhavam pior que os bois nos engenhos e apanhavam, apanhavam até
sangrar, sem nenhuma piedade dos donos. Muitos morriam sob o peso do trabalho.
Outros amanheciam mortos nas cafuas. Os brancos permitiam aos parentes dos
defuntos embrulhá-los em uma rede velha, imunda, para enterrá-los longe. Tudo sob
os olhos do feitor, que sempre os vigiava como cão mordendo seus calcanhares.
Mas na calada da noite, no primeiro cochilo dos cães, eles escapavam, fugiam. Morrer na fuga era melhor que morrer todos os dias, sangrando, sob as inumeráveis
chicotadas.»

 

Eromar Bomfim nasceu em Formosa do Rio Preto, Bahia. 
Filho de comerciantes, aos 13 anos mudou-se com a família para São Paulo. Estudou
Letras na USP, onde fez uma pós-graduação em Literatura Brasileira. É autor dos
romances O Olho da Rua, pela Nankin Editorial, e Coisas do Diabo Contra, pela Ateliê
Editorial, ambas editoras sediadas em São Paulo.

Eromar Bomfim, O Língua

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